17/06/2026
A indústria da construção civil no Brasil ocupava 2,5 milhões de pessoas em 2024 e pagava remuneração média de 2,1 salários mínimos. Eram 191 mil empresas que injetaram R$ 95,6 bilhões em salários no período.
Os números integram a Pesquisa Anual da Indústria da Construção, divulgada em 10 de junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento reúne empresas de três grandes grupos: construção de edifícios (residenciais, comerciais, industriais e reformas); obras de infraestrutura, como pontes, rodovias e praças; e serviços especializados, que incluem pintura e instalação elétrica, entre outros.
A edição de 2024 incorporou mudanças metodológicas, por isso o IBGE não faz comparação com anos anteriores. A série histórica antiga começava em 2007.
As empresas de construção de edifícios são as maiores empregadoras, reunindo 894,8 mil pessoas, ou 35,7% dos ocupados. Na sequência aparecem os serviços especializados, com 34,4% da mão de obra, e as obras de infraestrutura, com 29,9%.
Apesar de empregarem o menor contingente, as empresas de infraestrutura têm a maior média de funcionários por firma: 39 pessoas. Nos negócios voltados a edifícios, a média é de 13 trabalhadores, e nos de serviços especializados, oito.
As companhias de infraestrutura pagam as maiores remunerações, com média de 2,6 salários mínimos. As de construção de edifícios pagaram 1,9 salário mínimo, à frente das de serviços especializados (1,8). Em 2024, o salário mínimo nacional era de R$ 1.412.
O valor total de incorporações, obras e serviços de construção alcançou R$ 522,5 bilhões em 2024, sendo R$ 200,9 bilhões em infraestrutura, R$ 198,9 bilhões em construção de edifícios e R$ 122,8 bilhões em serviços especializados. O indicador RC8, que mede a fatia das oito maiores empresas do setor, ficou em 3,1%, sinal de um mercado pouco concentrado e sem monopólios.
Entre os custos, a mão de obra é o item de maior peso, com 30,7% do total. Em seguida vêm o consumo intermediário (22,5%), que reúne combustíveis, manutenção, aluguéis de máquinas e serviços de terceiros; os materiais de construção (22,3%); demais despesas, como impostos, taxas e custos com terrenos (14,7%); e obras e serviços contratados a terceiros (9,7%).
De acordo com o IBGE, de cada R$ 3 em valor de obra em 2024, R$ 1 foi demandado pelo setor público — 33% do total —, cabendo 67% à iniciativa privada. Nas obras de infraestrutura, a participação pública chega a 48,2%; na construção de edifícios, a 22,9%; e nos serviços especializados, a 19,5%.
Para o analista do IBGE Marcelo Miranda Freire de Melo, os dados mostram a relevância do setor público para a construção civil. “Essa demanda está muito concentrada no segmento de obras de infraestrutura, onde quase metade da demanda é feita pelo setor público. Nos outros dois segmentos, essa relevância do setor público é um pouco menor, a grande parte é o setor privado”, avalia.
Fonte: Com informações de Agência Brasil